BOLSONARO E A CRISE NO PSL: Quem diria?

Por Rodrigo Prando

       Mais uma crise no bojo do Governo Bolsonaro. E, novamente, a crise foi gerada internamente, sem ação da oposição ou da mídia, por exemplo. Em menos de dois dias, a peleja da família Bolsonaro com o PSL e Luciano Bivar, presidente do partido, tomou uma dimensão maior e mais grave. Em termos sintéticos, o objetivo do bolsonarismo é se assenhorar do PSL e, especialmente, dos recursos do fundo partidário estimado em cerca de 1 bilhão até 2022.

       Quem diria, caro leitor e caríssima leitora, que o PSL, um arremedo de partido, que, na realidade, conjugou personalidades sem formação política, sem intimidade com o espaço institucional republicano e que não só tomaram forma e conteúdo a reboque do bolsonarismo, como, em grande parte, passaram a copiar o gestual e a ação política de Bolsonaro ia chegar nessa situação? Quem diria? Há o áudio editado e vazado do Presidente Bolsonaro tentando a derrubada do Delegado Waldir, líder do PSL, em prol de Eduardo Bolsonaro, cujas consequências foi a resistência de Waldir e mais uma derrota do Planalto. Depois, como desgraça pouca é bobagem, Waldir também teve áudio divulgado no qual afirma, segundo suas palavras, que vai: “implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a gravação. Não tem conversa. [...] Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa p., eu andei no sol em 246 cidades, andei no sol gritando o nome desse vagabundo”. O tratamento, aqui, no trecho, dispensando ao Presidente da República, é bem peculiar e característico do grupo que chegou ao poder. E, para piorar, outro ataque foi desferido na direção da Joice Hasselmann, que foi destituída do posto de líder do Governo no Congresso. O sentimento de Joice foi de traição, de rejeição e, o pior, de subtração de poder. Afirmou a deputada que a inteligência emocional de Bolsonaro é menos 20 e, ainda, não poupou críticas a Eduardo Bolsonaro, que chamou de “aspone”.  Sinal dos tempos, contudo, é quando uma das análises mais pertinentes do quadro em tela, vem de Alexandre Frota, ex-PSL e atual tucano, afirmando que “A incompetência de Bolsonaro é tanta que se candidatou dizendo que acabaria com o PT, mas acabou foi com o PSL, partido que deu a ele a oportunidade de se eleger”. Preciso. Cirúrgico. E, ao que parece, a briga está longe de terminar, mas já há uma outra derrota governamental: a retirada, por enquanto, da indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada nos EUA.

      Quem diria que Bolsonaro, que queimou Bebianno e Santos Cruz, para ficar nos notórios, faria isso com Delegado Waldir e Hasselmann? Bolsonaro decidiu manter o clima eleitoral mesmo após as eleições. Resolveu governar assentado num estilo confrontador, belicista mesmo, partindo para o ataque dos adversários (transformados em inimigos) e dos aliados, por incrível que pareça. Resolveu, também, governar sem construir uma base de apoio, jogou na vala comum o “presidencialismo de coalização”, considerou-se portador da “nova” política em detrimento da “velha”, na qual localiza todos os vícios, “toma lá dá cá”, fisiologismo e corrupção. Escrevi, alhures, que, se durante as eleições, a estratégia do confronto deu certo, contudo, no campo da gestão, as coisas não funcionam assim. Aliás, o PSL e o Governo, ambos organismos vivos, parecem apresentar-se num estado patológico, de quase anomia. Há jornalistas que me questionaram se 2022 já começou e lhes respondi que 2018 ainda não terminou.

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RODRIGO PRANDO

 

Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

© 2019 - 2020 por DICOTOMIA

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